quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Prêmio Tião Sá contribui para a valorização do meio ambiente

prefeitura de vitória
http://www.vitoria.es.gov.br/semmam.php?pagina=premiotiaosa

Prêmio Tião Sá contribui para a valorização do meio ambiente

O Prêmio Tião Sá, criado em 1995, é um importante instrumento de incentivo à pesquisa e busca valorizar o engajamento na luta pela proteção do meio ambiente e pela qualidade vida. A premiação acontece todo ano durante a Feira do Verde, realizada na Praça do Papa, em Vitória.
Instituído pela Lei Municipal 4.203/95, o prêmio tem como objetivo estimular o desenvolvimento de trabalhos que possam contribuir para subsidiar ações que visem ao controle, conservação, recuperação e educação ambiental na capital.
  • 17ª edição do Prêmio Tião Sá: inscrições abertas de 20 de agosto a 28 de setembro. Saiba mais
Podem concorrer pesquisadores e educadores ambientais de todo o Brasil, que realizaram trabalhos na área de meio ambiente e que possam gerar resultados de utilidade pública. O prêmio tem duas categorias: Pesquisa Ambiental, que contempla trabalhos realizados nos últimos cinco anos; e Educação Ambiental, para projetos desenvolvidos nos últimos três anos.
O prêmio traduz o reconhecimento da cidade de Vitória ao engenheiro civil, pós-graduado em Recursos Naturais, o ambientalista Sebastião Salles Sá. Tião Sá, como era conhecido, nasceu em 1955 e faleceu em 1994. O ambientalista recebeu do Conselho Nacional de Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e Unesco o Prêmio Muqui, pelos relevantes trabalhos prestados para a consolidação da reserva, proteção ao Bioma Mata Atlântica e ecossistemas associados e para a melhoria da vida da população que vive nessas áreas. 

O símbolo do Prêmio Tião Sá traz três folhinhas em cores diferentes que representam os três ambientes presentes na natureza - azul (aquático), verde (flora) e amarelo (terrestre) - e também remetem às cores da bandeira do Brasil.
Última atualização em 16/08/2012

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

“A Terra Vista do Céu” reabre ao público na Vila dos Atletas

((o))eco
http://www.oeco.com.br/agenda/26367-a-terra-vista-do-ceu?utm_source=newsletter_477&utm_medium=email&utm_campaign=as-novidades-de-hoje-em-oeco





A mostra “A terra vista do céu” já encantou o público carioca na Cinelândia  durante a Rio+20. Agora, a exposição está na Barra da Tijuca, na futura  vila dos atletas nas Olimpíadas Rio 2016. São 130 fotos de altitute, feitas com o uso de helicópteres e balões, que revelam belíssimos cenários do planeta, ao lado de situações em que o homem interage com a natureza. Esse gênero é a marca registrada de Yann Arthus-Bertrand, autor das imagens.  A exposição já passou por mais de dez países e é gratuita. Ficará aberta ao público de 18 de agosto à 16 de setembro,

O evento foi trazido pelas empresas Carvalho Hosken e Odebrechet, que se uniram para construir o bairro Ilha Pura, sede da vila dos atletas. Elas aproveitam para exibir ações sustentáveis na construção do empreendimento. Entre elas, preservação do bioma local, redução de resíduos e do impacto na utilização de recursos hídricos e energéticos.


Serviço
Exposição: “A TERRA VISTA DO CÉU”
Período: de 18 de agosto a 16 se setembro de 2012
Local: Esplanada Frontal Ilha Pura -  Avenida Salvador Allende s/n - Barra da Tijuca (ao lado do Riocentro)
Horário: Segunda a sexta, 10h às 18h; sábado, domingo e feriados, 11h às 19h
Entrada e estacionamento gratuitos

sábado, 18 de agosto de 2012

Série de publicações traz caminhos para a sustentabilidade

no sul do amazonas
http://nosuldoamazonas.blogspot.com.br/2012/08/serie-de-publicacoes-traz-caminhos-para.html





QUARTA-FEIRA, 15 DE AGOSTO DE 2012


Série de publicações traz caminhos para a sustentabilidade

IEB lança a série de publicações “Organização Social” no próximo dia 20 de agosto, no Museu Amazônico, em Manaus.

A organização social das comunidades tradicionais e indígenas da Amazônia é um passo fundamental para se alcançar a conservação ambiental e o desenvolvimento sustentável da região. Experiências bem-sucedidas nesse sentido foram registradas e sistematizadas, e deram origem à série de publicações “Organização Social”, que será lançada na próxima segunda-feira, dia 20 de agosto, no Museu Amazônico, da Universidade Federal do Amazonas, na cidade de Manaus.

A série é composta por cinco publicações que contam histórias vividas no sul do estado do Amazonas, como a luta das organizações comunitárias para a criação das Reservas Extrativistas do Ituxi e do Médio Purus, em Lábrea, a experiência do associativismo na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Madeira, e a criação de uma cooperativa que trabalha com a produção e comercialização da castanha em Manicoré – a COVEMA (Cooperativa Verde de Manicoré). Uma das publicações traz o registro do trabalho dos índios Suruí no reflorestamento da Terra Indígena Sete de Setembro, no município de Cacoal, em Rondônia.

No evento estarão presentes os representantes das associações parceiras do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) neste trabalho: Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí (Gamebey), Associação dos Produtores Agroextrativistas da Assembleia de Deus do Rio Ituxi (Apadrit), Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Médio Purus (Atamp), Associação dos Produtores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Madeira (Apramad) e Cooperativa Verde de Manicoré (Covema) – além do Grupo de Jovens Tucumaenses, que apresentarão um breve esquete em torno de outras publicações do IEB.

“Hoje, em nível estadual, a cooperativa é tida como um espelho. Temos tentado manter esse padrão de equilíbrio e fazer com que seja uma empresa respeitada por todos. Esse é o nosso objetivo maior e esperamos que por meio dessa sistematização que o IEB está fazendo nossa história seja divulgada”, conta Adaldino Pitica, da Cooperativa Verde de Manicoré.

As publicações são frutos de trabalhos coletivos e participativos e uma contribuição para todos aqueles que trabalham e se interessam pelos processos de organização social na Amazônia. Nelas, as lideranças das associações relatam suas caminhadas e refletem sobre as experiências vividas, os aprendizados e as lições mais importantes.

“Não se trata de uma leitura externa da realidade local, mas de uma reflexão sobre um processo vivo e pulsante no qual as pessoas se engajam de maneira apaixonada e com dignidade. Esse povos esperam que o poder público lhes ofereça políticas públicas que funcionem e sejam compatíveis com a vida na floresta”, explica Maria José Gontijo, fundadora e diretora executiva do IEB.

O objetivo é que essas publicações cheguem até as universidades, instituições de ensino e pesquisa, organizações não governamentais e organizações de base de toda a Amazônia. Em pouco mais de dez anos, o IEB já publicou mais de 45 obras, que podem ser acessadas na loja virtual no site da instituição (http://livraria.iieb.org.br/).

No evento, também será lançada a publicação Rio Purus: águas, território e sociedade na Amazônia Sul Ocidental. Editado por cinco pesquisadores de diferentes instituições de pesquisas do país, entre os quais a professora Andrea Waichman da UFAM, o livro apresenta resultados de estudos sobre a bacia do rio Purus, bem como elementos para reflexão sobre mecanismos de gestão ambiental sob diferentes visões de pesquisa. Ao apoiar a publicação desse livro, o IEB busca colaborar com a ampliação do conhecimento sobre as regiões nas quais tem atuado.

SOBRE CADA PUBLICAÇÃO:

“Pamine, o renascer da Floresta – Reflorestamento da Terra Indígena Paiterey Karah (TI Sete de Setembro) pelo povo Paiter Suruí”

O livro conta em 65 páginas o sonho do povo indígena Paiter Suruí em devolver à floresta o que dela foi tirado. Elaborado pela assessora do IEB Andréia Bavaresco, em parceria com a Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí (Gamebey), descreve passo a passo o processo desenvolvido pelos Paiter para realizar o reflorestamento de suas terras. A obra mostra ainda o árduo trabalho que envolveu toda a comunidade, o plano estratégico de 50 anos para conservação, proteção e sustentabilidade da TI Sete de Setembro, e ainda o projeto Carbono-Suruí.

“Memorial da Luta pela Reserva Extrativista do Ituxi em Lábrea/AM - Registro da mobilização social, organização comunitária e conquista da cidadania na Amazônia”

Organizada pelo consultor do IEB Josinaldo Aleixo, em parceria com Associação dos Produtores Agroextrativistas da Assembleia de Deus do Rio Ituxi (Apadrit), a obra representa um esforço de reflexão e registro histórico de uma experiência social vivida intensamente no interior da Amazônia brasileira: a mobilização de comunidades ribeirinhas em favor da criação da Reserva Extrativista do Rio Ituxi.

“Memorial da Luta pela Reserva Extrativista do Médio Purus em Lábrea/AM - Registro da mobilização social, organização comunitária e conquista da cidadania na Amazônia”

Organizada pelo consultor do IEB Josinaldo Aleixo, em parceria com a Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Médio Purus (Atamp), a publicação conta a história de um grupo de ribeirinhos, moradores das margens do rio Purus, localizado entre a cidade de Lábrea e Pauini, que saiu do seu isolamento em busca de seus direitos como cidadãos em meio aos inúmeros conflitos na região. O resultado dessa luta foi criação da Reserva Extrativista do Médio Purus em 2008.

“Organização Social na Amazônia - Uma experiência de associativismo na RDS do Rio Madeira (Novo Aripuanã e Manicoré/AM)”

Organizado pela coordenadora do IEB Roberta Amaral, em parceria com a Associação dos Produtores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Madeira (Apramad), a publicação é um registro de como um processo de organização social de base comunitária na Amazônia pode ocorrer na prática e nas condições reais das comunidades da floresta. A obra é uma reflexão crítica e conta a experiência vivida pelas lideranças locais.

“Organização da Produção na Amazônia: a experiência de comercialização coletiva da castanha em Manicoré”

Organizado pela equipe do IEB (Josinaldo Aleixo, Marcelo Franco e Roberta Amaral) em parceria com a Cooperativa Verde de Manicoré (Covema), a publicação conta a história de luta e resistência de quase dez anos que deu origem à cooperativa, uma das experiências mais interessantes de empoderamento econômico dos povos e comunidades tradicionais da Amazônia. O livro traz o relato dos protagonistas desta história nos caminhos percorridos por seus fundadores.

SERVIÇO:
Data: 20 de agosto de 2012.
Horário: 19 horas
Local: Museu Amazônico (Universidade Federal do Amazonas - UFAM)
Endereço: Rua Ramos Ferreira, 1.036 – Centro – Manaus - Amazonas
Confirmar presença até 19 de agosto pelo e-mail: iieb@iieb.org.br

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Governistas temem derrota e freiam votação de MP do Código Florestal

ihu - unisinos
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/512286-governistas-temem-derrota-e-freiam-votacao-de-mp-do-codigo-florestal


Governistas temem derrota e freiam votação de MP do Código Florestal

A reunião da comissão especial que terminaria de examinar as sugestões de alterações à medida provisória (MP) doCódigo Florestal, marcada para ontem, foi remarcada para o fim do mês após o governo avaliar como desastroso o resultado do primeiro dia de votação. Na quarta-feira, a bancada ruralista conseguiu emplacar mudanças importantes na legislação, inclusive na proteção das margens dos rios.
A reportagem é de Yvna Sousa e Raquel Ulhôa e publicada pelo jornal Valor, 10-08-2012.
O adiamento foi sugerido pelo relator do projeto, senador Luiz Henrique (PMDB-SC), em reunião de emergência realizada no Palácio do Planalto, e foi acatada pelos comandantes da comissão e endossada pelo governo. "Cancelou para fazer um freio de arrumação", admitiu o vice-presidente do colegiado, senador Jorge Viana (PT-AC).

O presidente da comissão, deputado Bohn Gass (PT-RS) disse que "o governo foi no seu limite" e que não vai mais negociar com os ruralistas. Já no início da sessão, uma nova concessão foi feita: por iniciativa do relator, retirou-se o limite de área das propriedades destinada ao pousio (técnica que interrompe as atividades em uma área para recuperação do solo), deixando apenas o prazo máximo de cinco anos. O gesto, no entanto, não foi suficiente para sensibilizar os ruralistas.

Parlamentares ligados ao setor produtivo, por outro lado, avaliaram como quebra de acordo um destaque feito pelo senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), presidente da Comissão de Meio Ambiente. Segundo ele, uma proposta de correção ao texto levantada pelo relator prejudicaria as Áreas de Preservação Permanente (APP) na região daAmazônia, reduzindo a área a ser preservada nas propriedades localizadas em áreas que não são de floresta, como o cerrado.

O senador Blairo Maggi (PR-MT) disse que a modificação havia sido acertada e que a contestação acabou unindo deputados e senadores ruralistas.

"Sempre fomos o amortecedor aqui no Senado. Conversamos com eles [deputados ruralistas], contemporizamos algumas coisas, assumimos alguns desgastes, para colocar na lei muitas coisas que a Câmara não queria. Ontem, nós nos juntamos. Por isso, os resultados foram aqueles", declarou.

"Não participei de nenhum acordo e nem participaria de nenhum tipo de acordo que facilitasse o desmatamento", rebateu Rodrigo Rollemberg em discurso na tribuna. "Quero desafiar qualquer senador que diga que participou comigo de alguma reunião em que eu tenha feito algum tipo de acordo".

A nova reunião da comissão está marcada para o dia 28, quando somente os senadores estarão trabalhando em esforço concentrado. A Câmara estará em recesso branco, mas a bancada ruralista já anunciou que vai convocar seus membros.

Eles temem que a base governista se desmobilize e não compareça à reunião. Isso praticamente enterraria a MP doCódigo Florestal, pois ela perde a validade em 8 de outubro e ainda precisa ser aprovada pelos plenários da Câmara e do Senado.

O presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), Homero Pereira (PSD-MT), disse que a bancada vai continuar tentando aprovar mais alterações ao texto, como as que tratam sobre multas aos produtores, proteção de veredas e utilização de APPs para irrigação.

"Nós não vamos mais fazer o acordo. Se tivermos que ganhar, nós vamos ganhar, se perder, ainda vai para a Câmara. Se a presidente [Dilma Rousseff] tiver que vetar, ela veta", declarou.

A estratégia de deixar a MP caducar já começa a ser defendida por governistas e ambientalistas. "Entre perder a MP ou o Congresso aprovar um projeto que seja uma tragédia, pode ser melhor deixar perder a validade. Isso pode ser um instrumento de pressão sobre os ruralistas, porque esse vazio jurídico pode, por exemplo, levar à interpretação de que há obrigação de recompor toda a área de APP", disse Rollemberg.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Internautas navegam pela Amazônia

http://mapas.mma.gov.br/mapas/aplic/zee/atlas_zee_openlayers.htm?pulrj4k8vo8q66nnrlkqtimuo1

Internautas navegam pela Amazônia

Atlas inclui principais atividades produtivas da região, empreendimentos de infraestrutura, áreas protegidas, clima e tipos de solo, entre outras informações.

Sophia Gebrim

Pesquisadores, estudantes e gestores públicos contam com uma ferramenta a mais para análises ambientais e territoriais na Amazônia Legal. Está disponível para consulta, a partir desta segunda-feira (30/07), o Atlas Interativo do Macrozoneamento Ecológico-Econômico (MacroZEE) da Amazônia Legal. O Atlas é um software interativo que permite ao usuário acessar as informações utilizadas na elaboração do MacroZEE da Amazônia Legal, selecionando e cruzando os dados de seu interesse, como as principais atividades produtivas da região, empreendimentos de infraestrutura, áreas protegidas, clima e tipos de solo, entre outras informações.

A ferramenta, que é gratuita, foi desenvolvida pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e elaborada a partir do I3Geo (Interface Integrada para Internet de Ferramentas de Geoprocessamento). Possui interface com todo o catálogo de informações disponíveis no I3Geo do MMZ, de outros órgãos públicos e com os sistemas Google Maps e Google Earth.

INTERATIVIDADE

"É uma ferramenta interativa com grande potencial de utilização em trabalhos escolares, pesquisas acadêmicas e formulação de políticas públicas", explica o gerente de Zoneamento Ecológico-Econômico da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Bruno Abe Saber Miguel.

Ele detalha que, para auxiliar os usuários na utilização do Atlas, é possível acessar o próprio documento-base do MacroZEE da Amazônia Legal e, na aba "Ajuda" do Atlas, localizada no canto superior direito da página, existem tutoriais e manuais com instruções de passo a passo para as diversas funcionalidades da ferramenta.

Instrumento de planejamento concebido com o objetivo de assegurar a sustentabilidade do desenvolvimento da região, indicando estratégias produtivas e de gestão ambiental e territorial em conformidade com sua diversidade ecológica, econômica, cultural e social, o MacroZEE da Amazônia Legal foi elaborado em parceria com diversos ministérios e os estados da região, com ampla participação social e instituído pelo decreto federal nº 7.378/2010.

Por fim, o gerente aponta que, além da ferramenta complementar informações para elaboração de pesquisas, estudos e levantamentos, "a divulgação dos dados e informações que integram o MacroZEE da Amazônia Legal atende previsão contida no decreto que o institui e incorpora os princípios e diretrizes presentes na Lei de Acesso à Informação".

Conheça o Atlas Interativo do Macrozoneamento Ecológico-Econômico (MacroZEE) da Amazônia Legal: www.mma.gov.br/atlaszeeamazonia

sábado, 4 de agosto de 2012

Amazônia: enfim saíram dados represados do Deter

((o)) eco
http://www.oeco.com.br/gustavo-geiser-lista/26311-amazonia-enfim-sairam-dados-represados-do-deter?utm_source=newsletter_460&utm_medium=email&utm_campaign=as-novidades-de-hoje-em-oeco

Amazônia: enfim saíram dados represados do Deter

Finalmente o Ministério do Meio Ambiente divulgou os números do DETER, sistema de alerta de desmatamentos na Amazônia produzido pelo INPE. Os números, que sempre foram divulgados com regularidade, conforme eram produzidos, estavam represados há 3 meses, e segundo o ((o))eco, o motivo não foi técnico: simplesmente o MMA esperava o momento oportuno para ganhar dividendos políticos com o anúncio dos dados. 

Os números foram bons como já era esperado. Segundo a ministra Izabella Teixeira, houve redução de 23% no desmatamento acumulado nos últimos 12 meses. A notícia do governo é parecida com a análise do IMAZON, que faz seu próprio levantamento em paralelo. A diferença entre os dados do governo e do IMAZON não poderia ser larga, já que ambos utilizam os mesmos satélites para obter os dados brutos. 

O estado com maior detecção de área desmatada nos meses de abril a junho foi o Mato Grosso. Em abril, foram detectados 178,5 km2 de desmatamentos, ou 76,7% do total do mês. Mas e aí, o que aconteceu no Mato Grosso para que houvesse esse aumento? Será que foi uma política estadual mais "frouxa"? Ou será simplesmente que as áreas não visíveis, devido à cobertura de nuvens, apresentam resultados piores, que não colocariam o Mato Grosso em destaque negativo? De qualquer forma, o desmatamento detectado no Mato Grosso é significativo.

Distribuição de nuvens e pontos de desmatamento. Fonte: DETER/INPE

Como é possível ver nos mapas acima, durante esses meses boa parte da região Norte está coberta por nuvens (área pintada de rosa) e, obviamente, os pontos de desmatamento detectados pelo DETER (pontos em amarelo no mapa) se concentram nas áreas sem nuvens. O correto é ser cauteloso, e as declarações do governo foram adequadas, nesse sentido.

Comparando os dados de 2012 com os de 2011 e 2010, verifica-se que regiões anteriormente problemáticas estão deixando de apresentar focos de desmatamento. Por exemplo, o leste do Acre, que teve muitos alertas nos anos de 2010 e 2011, não apresenta nada alarmante nos números de 2012, lembrando que, como mostram os mapas acima, foi possível monitorar essa região, pois teve pouca cobertura de nuvens no período.  Isso sim, e não os percentuais, me parece motivo de comemoração, já que indica que o Estado está, finalmente, fazendo valer a lei ser cumprida em regiões-problema. 

Pontos de alerta de desmatamento do DETER - Vermelho: 2010; Rosa: 2011; Azul: 2012 (até junho) - Verificam-se cada vez menos pontos de alertas de desmatamento, e concentração em menos regiões

Mas, observando o segundo mapa, com os pontos de desmatamentos em 2010, 2011 e 2012 detectados pelo DETER, quais são as verificações importantes? A única observação imediata é que o Mato Grosso apresenta a situação mais crítica. Mas quais são essas áreas? 

Nesse sentido volto a elogiar o IMAZON quando, ao analisar os desmatamentos detectados no seu Sistema de Alerta de Desmatamentos, não apenas compara os números em percentuais, mas agrupa-os em áreas privadas, públicas, devolutas, assentamentos, etc. Isso permite uma forma eficaz de avaliar as causas do desmatamento. Por exemplo, em seu boletim de junho, o IMAZON apontou que 26% do desmatamento ocorreu em assentamentos e outros 30% em Unidades de Conservação. Isso permite questionar quem, de fato, são os responsáveis. Será o fazendeiro que desmata sua Reserva Legal efetivamente o maior culpado? Ou seriam os grileiros, que desmatam áreas públicas na expectativa de ganharem título? No caso dos alertas em Unidades de Conservação, será que o ICMBio está sucateado ou incapaz de combater o desmatamento nas áreas sob seus cuidados?

Essas são as questões a serem levantadas para guiar a análise e o trabalho de campo, e para que a população tenha meios de debater leis e investimentos. Afinal, ainda temos sérias polêmicas de alterações de limites de Unidades de Conservação, temos o código florestal ainda em debate, e as denúncias de sucateamento dos órgãos públicos. O DETER deve ser um termômetro das iniciativas, para avaliação e correção de rumo. Devemos cobrar sua produção e divulgação -- sem novos "atrasos políticos" --, entender que é necessário avaliar os dados dentro de um contexto maior, e cobrar que, além da Amazônia, os outros biomas também sejam avaliados. 

Ainda bem que neste caso o IBAMA continuou a receber os dados do INPE conforme eram produzidos. Apenas a opinião pública foi prejudicada com o atraso na divulgação. Primeiro, porque virou refém de decisões políticas, pois a promessa de transparência não é compatível com o poder de decidir quando determinada informação é divulgada. E segundo, pelo governo usar os dados de maneira leviana, como se o objetivo desse levantamento seja ter percentuais para se comemorar, e dados para escolha do próximo demônio a combater, no caso, através da "lista de municípios que mais desmataram".


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