quinta-feira, 28 de junho de 2012

Declaração final da Cúpula dos Povos

((o)) eco
http://www.oeco.com.br/noticias/26168-declaracao-final-da-cupula-dos-povos?utm_source=newsletter_427&utm_medium=email&utm_campaign=as-novidades-de-hoje-em-oeco



A Rio+20 acabou no dia 22/06 e junto com o evento oficial, o maior evento paralelo da Rio+20: a Cúpula dos Povos.  A declaração final faz duras críticas às instituições multilaterais que, segundo a Cúpula, estão a serviço do sistema financeiro e não dão respostas ousadas para o problema ambiental e humanitário que o mundo precisa enfrentar:

“As instituições financeiras multilaterais, as coalizações a serviço do sistema financeiro, como o G8/G20, a captura corporativa da ONU e a maioria dos governos demonstraram irresponsabilidade com o futuro da humanidade e do planeta e promoveram os interesses das corporações na conferencia oficial. Em constraste a isso, a vitalidade e a força das mobilizações e dos debates na Cúpula dos Povos fortaleceram a nossa convicção de que só o povo organizado e mobilizado pode libertar o mundo do controle das corporações e do capital financeiro”.

A Cúpula dos Povos na Rio +20 por Justiça Social e Ambiental ocorreu paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), organizado pela sociedade civil. O evento paralelo foi um sucesso de público, reunindo cerca de 30 mil pessoas por dia no Aterro do Flamengo. 

O documento final, pode ser lido abaixo. Ou clique aqui para fazer o download.

Declaração final da Cúpula dos Povos


 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Rio+20: "Que futuro queremos?"

IU-UNISINOS


CADERNOS » Cadernos IHU em formação

42ª edição - Rio+20: "Que futuro queremos?"

A edição número 42 dos Cadernos IHU em formação, intitulada “Rio+20: ‘Que futuro queremos?’” recupera entrevistas já publicadas pelo IHU em outros momentos sobre a Conferência Rio+20 a se realizar entre os dias 20 e 22 de junho deste ano, no Rio de Janeiro.
O encontro visa renovar o engajamento dos líderes mundiais com o desenvolvimento sustentável do Planeta. Busca debater a contribuição da economia verde para o desenvolvimento sustentável e a eliminação da pobreza, com foco sobre a questão da estrutura de governança internacional na área do desenvolvimento sustentável.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Rio+20 vista desde a Cúpula dos Povos: A montanha pariu um rato.

IHU - UNISINOS
http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/rio20-intencoes-sem-efeito-pratico-entrevista-especial-com-ivo-poletto/510832-rio20-intencoes-sem-efeito-pratico-entrevista-especial-com-ivo-poletto


Rio+20 vista desde a Cúpula dos Povos: A montanha pariu um rato. Entrevista especial com Ivo Poletto

“O governo brasileiro demonstrou, uma vez mais, que tem ciência diplomática para ‘salvar conferências da ONU’”, ironiza assessor do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social.

Confira a entrevista. 


“É tal o assentimento da quase totalidade dos governos à ideia de que não haveria outra forma de promover o desenvolvimento econômico além do capitalismo, e de que, por isso, seria natural a existência e o agravamento das desigualdades sociais, bem como seria inevitável o avanço e ‘consumo produtivo’ sobre os bens naturais, que toda a pressão da Cúpula dos Povos não os atingiu em quase nada de suas convicções e responsabilidades”. A análise é de Ivo Poletto e foi expressa na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line

Educador popular e assessor de pastorais emovimentos sociaisPoletto participou da Cúpula dos Povos e acompanhou através da impressa a realização da Rio+20, a qual, segundo ele, “não significou avanço nem mesmo para o que desejavam as grandes corporações do capitalismo globalizado; para a humanidade, ela piorou um pouco o que já estava ruim há muito tempo”. Para ele, o documento final da Rio+20 é composto de “afirmações gerais simpáticas ao que se tem denominado ‘economia verde’, mas não estabelece nada de concreto”. E dispara: “O governo brasileiro tentou introduzir algo novo nos espaços de diálogo com organizações da sociedade civil. Pelo visto, contudo, isso não produziu frutos novos, já que as ONGs presentes na Rio+20 chegaram a propor, ou exigir, que, frente à fragilidade e falta de compromissos concretos, fosse retirada a referência à sociedade civil no Documento Final da Conferência”.

Diante do fracasso da conferência para o desenvolvimento, Poletto enfatiza que “o Documento Final da Cúpula, mesmo sendo insuficiente em relação à riqueza dos trabalhos dos povos e movimentos da Cúpula, serve de confirmação da contundência crítica e da exigência de novas práticas pelos participantes”.

Ivo Poletto é filósofo e teólogo. Trabalhou durante os dois primeiros anos do governo Lula como assessor do Programa Fome Zero e foi o primeiro secretário-executivo da Comissão Pastoral da Terra – CPT. É autor de, entre outros, Brasil, oportunidades perdidas – Meus dois anos no governo Lula (Rio de Janeiro: Garamond, 2005).

Confira a entrevista. 

IHU On-Line – Que avaliação você faz da Rio+20 e também da Cúpula dos Povos? Quais os avanços e desafios em relação à sustentabilidade?

Ivo Poletto 
– Participei somente da Cúpula dos Povos. Por isso minha avaliação da Rio+20 tem como base o que ouvi de pessoas que lá estiveram e do que foi publicado em meios de comunicação eletrônica. Minha avaliação é esta: ela não significou avanço nem mesmo para o que desejavam as grandes corporações do capitalismo globalizado; para a humanidade, ela piorou um pouco o que já estava ruim há muito tempo.

O documento final da Rio+20 contém afirmações gerais simpáticas ao que se tem denominado “economia verde”, mas não estabelece nada de concreto. Nenhum avanço na direção de compromissos e acordos absolutamente necessários para enfrentar as crises sociais e ecológicas em que se encontra a humanidade. Isso faz com que as declarações em relação à superação da pobreza e à busca do desenvolvimento sustentável não passem, mais uma vez, de intenções sem efeito prático, nada mais do que conselhos que serão ou não acolhidos isoladamente por governos que, em sua quase totalidade, chegaram e partiram sem demonstrar vontade de fazer algo qualitativamente novo.

Contraste 

Em contraste com esse marasmo governamental, os participantes da Cúpula dos Povos manifestaram, de muitas formas, que estão convencidos que o futuro da humanidade e da Terra não é nada azul se continuar sendo determinado pelo capitalismo neoliberal globalizado. Deixaram claro também que os Estados e as instituições internacionais submetidas ao capitalismo não são e não serão mediações capazes de implementar as transformações estruturais e civilizatórias necessárias para enfrentar as crises que afetam todas as formas de vida no planeta. Frente a isso, insistiram que cabe aos povos e movimentos sociais a missão de mobilizar consciência e vontade da maioria dos seres humanos, tornando o exercício de sua cidadania a força capaz de exigir novas formas de produção, de consumo, de governo e de convivência entre as pessoas e os povos, junto com novas formas de convivência com a Terra.

IHU On-Line – É possível perceber alguma novidade nos dois encontros? 

Ivo Poletto 
– O governo brasileiro tentou introduzir algo novo nos espaços de diálogo com organizações da sociedade civil. Pelo visto, contudo, isso não produziu frutos novos, já que as ONGs presentes na Rio+20 chegaram a propor, ou exigir, que, frente à fragilidade e falta de compromissos concretos, fosse retirada a referência à sociedade civil noDocumento Final da Conferência. No mais, apenas atividades ainda mais explícitas e quase despudoradas de marketing e de lobby das grandes empresas, especialmente as mais poluidoras, como as do complexo responsável pela quase “civilização do petróleo” – já todas “sustentáveis” e “verdes”, e com direito de exigir avanços na direção da “economia verde”.

Na Cúpula dos Povos, vale destacar a presença e protagonismo dos povos indígenas, dos camponeses e das mulheres, certamente os movimentos portadores de propostas mais definidas e arrojadas. E a presença de novos movimentos, como o Movimento Nacional de Afetados por Desastres Socioambientais – Monades, trazendo para a Cúpula a voz dos que sofrem na pele e pagam com a vida de familiares, parentes, vizinhos, os efeitos das mudanças climáticas, agravadas pelo aquecimento provocado pela emissão de gases de efeito estufa justamente pelas empresas responsáveis pela manutenção do sistema capitalista, que buscam o crescimento econômico sem fim a qualquer custo.

Vale ainda destacar a arrojada decisão de realizar Assembleias dos Povos, que faz da Cúpula dos Povos um espaço de articulação global da sociedade civil diferente do Fórum Social Mundial.

IHU On-Line – Apesar de toda a mobilização da sociedade civil, concentrada na Cúpula dos Povos, os chefes de Estado receberam críticas por produzir um texto final sem metas. Qual é a intervenção política das manifestações sociais na tomada de decisão? Tais manifestações têm qual impacto político?

Ivo Poletto 
– É tal o assentimento da quase totalidade dos governos à ideia de que não haveria outra forma de promover o desenvolvimento econômico além do capitalismo, e de que, por isso, seria natural a existência e o agravamento das desigualdades sociais, bem como seria inevitável o avanço e “consumo produtivo” sobre os bens naturais, que toda a pressão da Cúpula dos Povos não os atingiu em quase nada de suas convicções e responsabilidades. Preferem, por motivos óbvios, ouvir e acatar as propostas dos empresários e seus assessores técnicos.

Essa percepção não teve uma resposta adequada na Cúpula dos Povos. A insensibilidade de tudo que é estatal – incluída a ONU – deveria ter como contraponto uma busca mais generosa de unidade entre as forças sociopolíticas que querem e exigem práticas e transformações estruturais, caminhando na direção de constituir-se como Cúpula ouAssembleia Permanente dos Povos – uma mediação permanente de articulação mundial de iniciativas alternativas aomercado capitalista, de elaboração de propostas globais também alternativas e de viabilização de mobilizações mundiais capazes de exigir as mudanças necessárias em todos os níveis da vida humana e da convivência com a Terra. Mas, por diferentes motivos, que deverão ser objeto de reflexão crítica, as entidades responsáveis pela organização da Cúpula evitaram sequer propor à Assembleia dos Povos essa possibilidade. E a humanidade caminhará ainda sem a realização deste sonho, ampliando articulações setoriais, sem uma mediação democraticamente constituída para interligar e dar sentido unitário a elas.

IHU On-Line – Como os temas centrais da Rio+20: economia verde, governança global e redução da pobreza foram discutidos na Cúpula dos Povos?

Ivo Poletto 
– Em milhares de oficinas e seminários autogestionados, bem como nas Plenárias de Convergência e nas Assembleias dos Povos, estes três temas foram certamente os mais contundentemente analisados e criticados. E foram elaboradas muitas propostas de ação alternativa, fundadas nas práticas já existentes. O Documento Final da Cúpula, mesmo sendo insuficiente em relação à riqueza dos trabalhos dos povos e movimentos da Cúpula, serve de confirmação da contundência crítica e da exigência de novas práticas pelos participantes.

Por outro lado, com outras formas de expressão – palavras de ordem, faixas, bandeiras, balões, músicas, danças, dramatizações etc. –, na Marcha realizada no dia 20 de junho, em que mais de 50 mil pessoas se manifestaram no centro do Rio de Janeiro e foi expressão da mobilização mundial convocada pela Cúpula dos Povos, foram feitas denúncias da irresponsabilidade e irracionalidade da teimosia em seguir adiante com um modo de vida, de produção e de consumo que agride todas as formas de vida e a própria vida da Terra. E foram tornadas públicas as alternativas já produzidas pelos povos, junto com a convocação geral em favor da construção do novo mundo necessário.

IHU On-Line – Qual foi a mensagem da sociedade civil em relação à temática ambiental e à sustentabilidade?

Ivo Poletto 
– Ficou mais claro do que nunca que o social e o ambiental são faces da mesma realidade – e isso vai aprofundando a proximidade entre movimentos indígenas e movimentos ambientalistas, movimentos sociais, movimentos feministas e outros. Por isso a Cúpula aprofundou a perspectiva de que o cuidado com o ambiente da vida deve andar junto com o cuidado da própria vida. E só é sustentável o que garante que a Terra possa continuar oferecendo um ambiente equilibrado e saudável para a vida e que os seres humanos disponham do necessário para levar uma vida digna.

Outro ponto forte da mensagem da sociedade civil livre das grandes empresas e dos governos é este: não há possibilidade de equilíbrio ambiental e muito menos sustentabilidade verdadeira se a humanidade continuar submetida e dominada pelo capitalismo. Há contradição direta entre a busca e imposição de um crescimento econômico sem limites e sem fim e a finitude e limites do meio ambiente criado pela Terra. Por isso é impossível a existência de uma sociedade com justiça social e ambiental enquanto for mantida como natural e intocável a quase absurda concentração da riqueza em poucas mãos, e enquanto alguns povos, que não são sequer 20% da população terrestre, continuarem exigindo como algo natural que consumam mais de 80% de todas as formas de energia e dos bens produzidos no planeta. A proposta ideológica de que cada pessoa se torne rica e capitalista e de cada país procure alcançar os níveis de consumo dos que são ricos atualmente é algo absolutamente impossível, por dois motivos principais:

(1) porque o capitalismo tem em seu DNA a necessidade da existência de quem concentra riqueza na forma de capital, aumentando seu poder para explorar trabalhadores, que ele deseja que sobrevivam custando-lhe o menos possível, para que seu lucro seja maior; 

(2) porque, de toda forma, se isso acontecesse, a Terra se desequilibraria a tal ponto que o aquecimento e as mudanças climáticas tornariam impossível a continuidade da vida humana neste planeta.

Por tudo isso, a mensagem central da Cúpula dos Povos tem sido a consciência e a autoconvocação dos povos emovimentos para assumirem a responsabilidade de multiplicar o que já é feito por eles na direção da construção de formas não ou pós-capitalistas de produzir, de consumir, de pensar, de organizar-se politicamente, de conviver com a Terra como um ser vivo de que os próprios seres humanos são parte. Em outras palavras, assumir a missão de fazer avançar a prática de outra forma de civilização, tanto como busca concreta de nova maneira de viver quanto como soma de forças sociopolíticas capazes de exigir que toda a humanidade e seus governos abandonem o capitalismo e apoiem a construção de sociedades verdadeiramente humanas, assentadas na justiça social e ambiental, em formas de socialização cada vez mais profundas e radicais.

IHU On-Line – Como avalia a cobertura feita pela mídia brasileira da Cúpula dos Povos?

Ivo Poletto 
– É evidente o boicote da grande mídia, identificada com as propostas e as tentativas das grandes empresas de apresentarem-se com a “solução verde” dos estragos e crises geradas por elas e pelo modo de vida necessariamente consumista promovido também por elas. De toda forma, contudo, as manifestações, especialmente a marcha realizada nas avenidas centrais da cidade do Rio de Janeiro, serviram para forçar algum espaço nestas empresas privadas de notícias.

Mesmo com alguns limites, a comissão de comunicação da Cúpula dos Povos conseguiu presença marcante nos meios eletrônicos de comunicação. E nisso ela foi reforçada pelas iniciativas de comunicação dos próprios movimentos sociais. Pelo que tenho percebido e foi justificado publicamente na primeira Assembleia dos Povos, não funcionou a transmissão direta das atividades da Cúpula através da TVCúpula – e isso foi realmente uma perda. Já a RádioCúpula, embora ameaçada em diversos momentos, conseguiu realizar sua tarefa de comunicação.

Por ter estado envolvido nas atividades da Cúpula, não tenho elementos para avaliar a cobertura da mídia internacional.

IHU On-Line – Como avalia a elaboração do Rascunho Zero e a condução do governo brasileiro na conferência?

Ivo Poletto 
– Pode-se dizer que, mais uma vez, “a montanha pariu um rato”. É incrível que se tente justificar um documento tão sem nada de sério e efetivo, sabendo que é fruto de inúmeras reuniões internacionais, em que foram gastos milhões de dólares. Para a humanidade, teria sido bem melhor a confissão simples de que os governos não chegaram a nenhum acordo, e de que isso se deve ao fato de que há governos de países ricos que não querem assumir suas responsabilidades, especialmente agora que estão envolvidos no salvamento dos bancos e dos países enterrados em dívidas – e querem continuar fazendo, ao aumentar a dívida dos bancos em relação aos recursos públicos e ao aumentar a dívida dos Estados em relação aos bancos!

O governo brasileiro demonstrou, uma vez mais, que tem ciência diplomática para “salvar conferências da ONU”. Como em outras oportunidades, diante do impasse, que revelaria o fracasso, os diplomatas e a própria presidente Dilmaentraram em campo para redigir e aprovar um documento que todos podiam aprovar por não exigir nada, por não significar compromisso concreto nenhum. É por isso que o governo federal e a grande mídia se esforçam para dizer que o valor do documento aprovado é manter em aberto até 2014 a possibilidade de que os governos cheguem aos acordos necessários para enfrentar a crise social e ambiental que se aprofunda no planeta. Acredite quem quiser.

IHU On-Line – O que é possível esperar após a Rio+20?

Ivo Poletto 
– Sendo realista, mas admitindo sempre ser questionado, devo deixar claro que não vejo possibilidades de avanços enquanto as decisões ficarem restritas aos governos encantados e identificados com o capitalismo, e aos governos que servem ao capitalismo por não acreditarem em nenhuma alternativa de promoção da vida humana. Essa é a razão porque, em outro artigo, tenho sugerido que as pessoas – e de preferência todas – torcessem pela Cúpula dos Povos: só com o avanço das práticas alternativas ao capitalismo, em todos os campos da vida, na perspectiva do Bem Viver dos povos indígenas, será possível ir avançando na construção do novo mundo, e isso será, ao mesmo tempo, a possibilidade de força política capaz de colocar os governos a serviço dos direitos de todas as pessoas e do meio ambiente da vida, libertando-os da dominação capitalista.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A grande derrota é a impotência da ONU para enfrentar problemas

IHU
http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/rio20-a-grande-derrota-e-a-onu-estar-impotente-para-enfrentar-problemas-entrevista-especial-com-liszt-vieira/510735-rio20-a-grande-derrota-e-a-onu-estar-impotente-para-enfrentar-problemas-entrevista-especial-com-liszt-vieira


Rio+20: ''A grande derrota é a impotência da ONU para enfrentar problemas''. Entrevista especial com Liszt Vieira

A governança global, um dos temas centrais da Rio+20, estava “posta na mesa e nem se quer foi discutida”, critica o ambientalista.

Confira a entrevista.


“De antemão, já se sabia que a conferência poderia ser considerada um sucesso diplomático, mas um fracasso ambiental”. É com essa declaração que Liszt Vieira diz ter confirmado sua expectativa em relação a Rio+20: “um fracasso anunciado”. Na avaliação do sociólogo, a presença dos chefes de Estado naRio+20 contribuiu apenas para recomendar o “fortalecimento” do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA. “Os demais temas foram ‘arranhados’ superficialmente para que se pudesse encontrar um mínimo denominador comum, o qual foi encontrado, mas que não correspondeu às expectativas mínimas e nem está à altura dos problemas ambientais que ameaçam o planeta”, aponta.
(A imagem ao lado que ilustra esta entrevista foi originalmente publicada no sitiohttp://transnet.ning.com/profiles/blogs/governanca-ambiental-global)

Um dos pioneiros em discutir ecologia política no Brasil, o professor da PUC-RJ argumenta que as conferências promovidas pela Organização das Nações Unidas – ONU não avançam porque “as questões comerciais também estão presentes, embora oficialmente não se trate de comércio”. Além disso, enfatiza, a ONU, como organismo internacional, não consegue apresentar respostas aos problemas ambientais e sociais em curso. “O mundo mudou e a ONU não reflete a nova correlação de forças, que é o fortalecimento dasociedade civil e dos mercados, e o enfraquecimento relativo de muitos países. Essa ficção jurídica de que todos os países são iguais, de que cada país é um voto, leva à paralisia da ONU”, esclarece em entrevista concedida à IHU On-Line por telefone.

Embora a consciência ambiental tenha aumentado nos últimos 20 anos, e a opinião de uma parcela da sociedade tenha sido representada na Cúpula dos PovosLiszt assegura que a influência da sociedade civil “ainda foi pequena”.


Liszt Vieira é graduado em Direito e em Ciências Sociais, e doutor em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro – IUPERJ. Foi um dos Coordenadores do Fórum Global da Conferência Rio-92, e atualmente leciona no Departamento de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio. É presidente do Jardim Botânico do Rio de Janeiro desde 2003.


Confira a entrevista.

IHU On-Line – Por que considera que a Rio+20 começou tendendo ao fracasso? Já é possível fazer uma avaliação da conferência? 

Liszt Vieira
 – Porque os sistemas de decisão são baseados num consenso, e é difícil encontrar um consenso quando se envolve mais de 150 países: os interesses são diferentes, contraditórios. Esse sistema está falido, e a ONU está à beira da falência, por inoperância, falta de dinamismo interno para tomar decisões. Então, de antemão, já se sabia que a conferência poderia ser considerada um sucesso diplomático, mas um fracasso ambiental. Trata-se da crônica de um fracasso anunciado.
Desse ponto de vista, a governança global está posta na mesa e nem se quer foi discutida. A única coisa que os chefes de Estado recomendaram foi o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA. Os demais temas foram “arranhados” superficialmente para que se pudesse encontrar um mínimo denominador comum, o qual foi encontrado, mas que não correspondeu às expectativas mínimas e nem está à altura dos problemas ambientais que ameaçam o planeta.

IHU On-Line – A ONU ainda tem relevância internacional?

Liszt Vieira
 – A ONU não tem relevância porque não toma decisões. O núcleo duro da ONU é o Conselho de Segurança, formado por cinco países permanentes (EUA, França, Reino Unido, Rússia e China), os quais decidem por unanimidade depois da Segunda Guerra Mundial. Os países que perderam a Guerra, como Alemanha e Japão, estão fora desse núcleo, e se um dos cinco países vetar algo, não há avanço. Não existe um sistema de governança mundial. Fora da ONU, existe a Organização Mundial do Comércio – OMC, que aplica sanções para o bem ou para o mal, ou seja, estabelece as regras do jogo. Quem não cumpre as regras, pode ser sancionado. Então, a OMC tem uma efetividade. O Tribunal Penal Internacional julga e condena genocidas e tem alguma efetividade, mas estão fora do sistema da ONU.

A ONU está em crise, paralisada. Claro que é melhor existir do que deixar de existir, porque o mundo é melhor com a ONU do que sem ela. Mas o problema é que ela não consegue dar respostas aos problemas que surgem no mundo.

IHU On-Line – Essa ineficiência é recente ou tem a ver com a formação histórica da ONU?

Liszt Vieira
 – Claro que tem a ver com o sistema que foi adotado, o qual funcionou durante algum tempo, mas que, diante de grandes crises, fica paralisado. O caso é que a questão ambiental está se tornando uma grande crise ecológica, que aponta para uma crise de civilização. A ONU não consegue dar resposta a isso, porque seus encontros internacionais acabam aprovando documentos que são o mínimo denominador comum de 180 países, sempre muito aquém do que seria necessário. A grande derrota é a ONU estar impotente para enfrentar problemas.

Em todas as áreas estamos vendo essa incapacidade de avançar e tomar decisões, porque um país é baseado no petróleo, outro quer investir em energia renovável. Há uma série de interesses na agenda ambiental. Vi, emJoanesburgo, na Rio+10 que, quando um país condenava o combustível fóssil e recomendava o uso de energia renovável, um país árabe que tinha petróleo dizia: “Se você fizer isso eu não compro mais a sua soja, o seu minério”. Quer dizer, as questões comerciais também estão presentes, embora oficialmente não se trate de comércio. Então, é difícil avançar nesse emaranhado. Além disso, quando algumas decisões são tomadas por consensos, não são cumpridas, porque cada país tem de ratificar essas decisões nos parlamentos nacionais, e isso não é feito. Então, os países não cumprem internamente os tratados e convenções assinados.

No caso da Rio+20, não tinha nenhum documento para assinar; eram apenas recomendações apontando caminhos, mas nenhum caminho foi apontado. Os chefes de Estado apenas reafirmaram o compromisso de 20 anos atrás, da Eco-92, mas nem todos os acordos foram reafirmados; alguns ficaram no limbo e não foram mencionados. Só quando “estourar” uma crise mais adiante, daqui uns 10 anos, os países irão sacudir.

IHU On-Line – Como avalia o rascunho zero da Rio+20? Que temas centrais ficaram de fora do documento?

Liszt Vieira
 – Muita coisa fica de fora, como prazos e metas concretas em relação à energia, ao clima, àbiodiversidade. Deveriam ter estipulado datas e metas concretas. Pelo que eu sei, o único avanço diz respeito à proteção dos oceanos, algo que teve um nível de concretude. Os demais assuntos foram discutidos numa linguagem abstrata, que não compromete e não obriga.

IHU On-Line – É possível fazer uma comparação entre a Eco-92 e a Rio+20? Diria que houve mais avanços há 20 anos?

Liszt Vieira 
– A Eco-92 tinha mais expectativas e esperança, porque houve a assinatura de convenções. Mas para poder assinar convenções do clima, por exemplo, os EUA exigiram esvaziá-la. Então, houve muita concessão em todas as convenções, seja do clima, da biodiversidade, da desertificação. Em relação às florestas, nem houve convenção, mas sim um protocolo, que é um grau hierárquico menor. Em contrapartida, na Eco-92 aprovaram uma Agenda 21 e umaCarta da Terra, então, houve mais seriedade nas conclusões finais, embora tenha havido muita decepção também, porque se queria que os governos estivessem à altura do esperado, e não estiveram. Mesmo assim, o resultado foi muito superior ao que se vê hoje na Rio+20, que teve um resultado desastroso, embora diplomaticamente todos os países assinaram o documento, e isso é muito positivo. Mas está longe de apresentar um esforço no sentido de equacionar os problemas do planeta.

IHU On-Line – Como vê a agenda ambiental brasileira, especialmente depois da Eco-92?

Liszt Vieira
 – O Brasil está bem e tem uma boa imagem em matéria ambiental, porque tem sua matriz energética renovável. No exterior, o país é muito respeitado. Na Inglaterra, menos de 3% da energia é renovável; na Europa, a média é cerca de 8%, enquanto que no Brasil, a média é de 50%. A hidrelétrica, em princípio, é renovável. Outro debate é discutir se Belo Monte deve ou não ser construída, porque tem de avaliar a relação custo/benefício: se o governo gasta muito e a capacidade energética é pequena, não vale a pena, mas se gasta pouco e tem uma capacidade energética boa, vale.

O Brasil poderia assumir uma liderança ambiental maior, porque está numa situação relativamente confortável. O grande vilão era o desmatamento, mas ele foi controlado, e a Amazônia está preservada. De um modo geral, olhando o mundo como um todo, o Brasil está bem. Obviamente, críticas podem ser feitas e o governo poderia ser mais agressivo na proteção das florestas, na ecologia urbana, em saneamento básico etc. Mas nos últimos 20 anos, o país cresceu, aumentou a renda, diminuiu o número de pobres. O problema ambiental é global, e não adianta um único país fazer o dever de casa. Mesmo que ele não polua nada, vai sofrer os impactos das mudanças climáticas. Por isso a solução tem de ser encontrada no plano mundial. A globalização não é só econômica, financeira, tecnológica.

Esse processo de globalização fortalece o global e o local em detrimento do nacional. Hoje, qualquer empresa multinacional tem mais orçamento e poder do que a maioria dos países. Além disso, muitas ONGs ainda têm mais importância no cenário internacional do que a maioria dos países. Enfim, o mundo mudou e a ONU não reflete a nova correlação de forças, que é o fortalecimento da sociedade civil e dos mercados, e o enfraquecimento relativo de muitos países. Essa ficção jurídica de que todos os países são iguais, de que cada país é um voto, leva à paralisia da ONU.

IHU On-Line – Como vê a mobilização da Cúpula dos Povos? Essas manifestações têm algum impacto político?

Liszt Vieira
 – Elas terão impacto no futuro. No momento, a ansiedade e a angústia do governo brasileiro era chegar a um acordo, e que a Rio+20 não fosse vista como um fracasso. Por isso eles apressaram a conclusão de um acordo em detrimento da qualidade do texto. Mas a pressão da sociedade civil será muito forte nos países onde os governos têm de se reeleger, e onde as organizações da sociedade civil têm peso de mobilização.

Com o agravamento da questão ambiental, essas manifestações vão refletir num sentido de maior peso da sociedade civil nas decisões a serem tomadas. Mas, no momento, a influência ainda foi pequena.

IHU On-Line – Um dos temas centrais da Rio+20 foi a governança global. Considerando a “ineficiência” da ONU, que características um novo organismo internacional precisa ter para levar em conta a questão ambiental e social que está em jogo nessas discussões?

Liszt Vieira
 – Essa é uma questão complexa, que envolve uma coalizão de forças do sistema internacional, desde os governos, as empresas, a sociedade civil, a comunidade científica. São muitos atores que devem participar desta discussão. Já existem várias propostas para reformar a ONU, mas nada foi feito porque os países não estão interessados. A Rio+20 é uma demonstração da situação atual da ONU, que não consegue dar respostas. Só quando estourar a crise econômica, social e política de forma mais aguda, decisões contundentes serão tomadas. Isso deve acontecer nos próximos 10 anos.

Por outro lado, a consciência ambiental aumentou muito entre as novas gerações, e também nas empresas. Na Eco-92havia só dois polos: o governo e sociedade civil. Hoje muitas empresas já despertaram para a questão dasustentabilidade, porque irão perder produtividade e terão prejuízos se não se readaptarem. A comunidade científica também teve uma participação muito pequena na Eco-92, mas hoje está mais ativa e mobilizadora. Esses atores que surgem irão pressionar os governos para aumentar a velocidade e a qualidade das decisões. A ONU será obrigada a encontrar mecanismos de tomada de decisão que sejam mais adequadas à gravidade da questão, e levar em conta a pressão que estão sofrendo desses novos atores.

(Por Patricia Fachin)

domingo, 24 de junho de 2012

CARTA DO RIO DE JANEIRO DECLARAÇÃO FINAL DO IX ACAMPAMENTO TERRA LIVRE



CÚPULA DOS POVOS POR 
JUSTIÇA SOCIAL E AMBIENTAL


CONTRA A MERCANTILIZAÇÃO DA VIDA, EM DEFESA DOS BENS COMUNS 

CARTA DO RIO DE JANEIRO
DECLARAÇÃO FINAL DO IX ACAMPAMENTO TERRA LIVRE – 
BOM VIVER/VIDA PLENA

Rio de Janeiro, Brasil, 15 a 22 de junho de 2012

Nós, mais de 1.800 lideranças, representantes de povos e organizações indígenas presentes, APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (COIAB, APOINME, ARPINSUL, ARPINSUDESTE, povos indígenas do Mato Grosso do Sul e ATY GUASU), COICA – Coordenadora de Organizações Indígenas da Bacia Amazônica, CAOI – Coordenadora Andina de Organizações Indígenas, CICA – Conselho Indígena da América Central, e CCNAGUA – Conselho Continental da Nação Guarani e representantes de outras partes do mundo, nos reunimos no IX Acampamento Terra Livre, por ocasião da Cúpula dos Povos, encontro paralelo de organizações e movimentos sociais, face à Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).


Depois de intensos debates e discussões realizados no período de 15 a 22 de Junho sobre os distintos problemas que nos afetam, como expressão da violação dos direitos fundamentais e coletivos de nossos povos, vimos em uma só voz expressar perante os governos, corporações e a sociedade como um todo o nosso grito de indignação e repúdio frente às graves crises que se abatem sobre todo o planeta e a humanidade (crises financeira, ambiental, energética, alimentar e social), em decorrência do modelo neo-desenvolvimentista e depredador que aprofunda o processo de mercantilização e financeirização da vida e da Mãe Natureza.


É graças à nossa capacidade de resistência que mantemos vivos os nossos povos e o nosso rico, milenar e complexo sistema de conhecimento e experiência de vida que garante a existência, na atualidade, da tão propagada biodiversidade brasileira, o que justifica ser o Brasil o anfitrião de duas grandes conferências mundiais sobre meio ambiente. Portanto, o Acampamento Terra Livre é de fundamental importância na Cúpula dos Povos, o espaço que nos possibilita refletir, partilhar e construir alianças com outros povos, organizações e movimentos sociais do Brasil e do mundo, que assim como nós, acreditam em outras formas de viver que não a imposta pelo modelo desenvolvimentista capitalista e neoliberal.


Defendemos formas de vidas plurais e autônomas, inspiradas pelo modelo do Bom Viver/Vida Plena, onde a Mãe Terra é respeitada e cuidada, onde os seres humanos representam apenas mais uma espécie entre todas as demais que compõem a pluridiversidade do planeta. Nesse modelo, não há espaço para o chamado capitalismo verde, nem para suas novas formas de apropriação de nossa biodiversidade e de nossos conhecimentos tradicionais associados.


Considerando a relevante importância da Cúpula dos Povos, elaboramos esta declaração, fazendo constar nela os principais problemas que hoje nos afetam, mas principalmente indicando formas de superação que apontam para o estabelecimento de novas relações entre os Estados e os povos indígenas, tendo em vista a construção de um novo projeto de sociedade.


Repúdios


Em acordo com as discussões na Cúpula dos Povos, repudiamos as causas estruturais e as falsas soluções para as crises que se abatem sobre nosso planeta, inclusive: 


  • Repudiamos a impunidade e a violência, a prisão e o assassinato de lideranças indígenas (no Brasil, caso Kayowá-guarani, Argentina, Bolívia, Guatemala e Paraguai, entre outros). 
  • Repudiamos os grandes empreendimentos em territórios indígenas, como as barragens – Belo Monte, Jirau e outras; transposição do Rio S. Francisco; usinas nucleares; Canal do Sertão; portos; ferrovias nacionais e transnacionais, produtoras de biocombustíveis, a estrada no território TIPNIS na Bolívia, e empreendimentos mineradores por toda a América Latina). 
  • Repudiamos a ação de instituições financeiras como o BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que financia grandes empreendimentos com dinheiro público, mas não respeita o direito à consulta as populações afetadas, incluindo 400 regiões no Brasil, e em todos os países em que atuam, inclusive na América Latina e África. 
  • Repudiamos os contratos de REDD e créditos de carbono, falsas soluções que não resolvem os problemas ambientais e procuram mercantilizar a natureza e ignoram os conhecimentos tradicionais e a sabedoria milenar de nossos povos. 
  • Repudiamos a diminuição dos territórios indígenas. 
  • Repudiamos todas as iniciativas legislativas que visem submeter os direitos indígenas ao grande capital, através da flexibilização ou descaracterização da legislação indigenista e ambiental em vários países, como a PEC 215 e o Código Florestal no congresso brasileiro e as alterações propostas no Equador. 
  • Repudiamos a repressão sofrida pelos parentes bolivianos da IX Marcha pela “Defesa da Vida e Dignidade, Territórios Indígenas, Recursos Naturais, Biodiversidade, Meio Ambiente, e Áreas Protegidas, pelo Cumprimento da CPE (Constituição Política do Estado) e o respeito a Democracia”. Manifestamos nossa solidariedade aos parentes assassinados e presos nesta ação repressiva do estado boliviano. 
  • Repudiamos a atuação de Marco Terena que se apresenta como líder indígena do Brasil e representante dos nossos povos em espaços internacionais, visto que ele não é reconhecido como legítimo representante do povo Terena, como clamado pelas lideranças deste povo presentes no IX Acampamento Terra Livre. 


Propostas
  • Clamamos pela proteção dos direitos territoriais indígenas. No Brasil, mais de 60% das terras indígenas não foram demarcadas e homologadas. Reivindicamos o reconhecimento e demarcação imediatos das terras indígenas, inclusive com políticas de fortalecimento das áreas demarcadas, incluindo desintrusão dos fazendeiros e outros invasores dos territórios. 
  • Reivindicamos o fim da impunidade dos assassinos e perseguidores das lideranças indígenas. Lideranças indígenas, mulheres e homens, são assassinados, e os criminosos estão soltos e não são tomadas providências. Reivindicamos que sejam julgados e punidos os mandantes e executores de crimes (assassinatos, esbulho, estupros, torturas) cometidos contra os nossos povos e comunidades. 
  • Reivindicamos o fim da repressão e criminalização das lideranças indígenas, como dos parentes que se manifestam contra a construção de Belo Monte. Que as lutas dos nossos povos pelos seus direitos territoriais não sejam criminalizadas por agentes do poder público que deveriam exercer a função de proteger e zelar pelos direitos indígenas. 
  • Exigimos a garantia do direito à consulta e consentimento livre, prévio e informado, de cada povo indígena, em respeito à Convenção 169 da OIT – Organização Internacional do Trabalho, de acordo com a especificidade de cada povo, seguindo rigorosamente os princípios da boa-fé e do caráter vinculante desta convenção. Precisamos que seja respeitado e fortalecido o tecido institucional de cada um de nossos povos, para dispor de mecanismos próprios de deliberação e representação capazes de participar do processo de consultas com a frente estatal. 
  • Clamamos pela ampliação dos territórios indígenas. 
  • Clamamos pelo monitoramento transparente e independente das bacias hidrográficas. 
  • Clamamos pelo reconhecimento e fortalecimento do papel dos indígenas na proteção dos biomas. 
  • Pedimos prioridade para demarcação das terras dos povos sem assistência e acampados em situações precárias, como margens de rio, beira de estradas e áreas sem infraestrutura sanitária. Apenas no Brasil, existem centenas de acampamentos indígenas nesta situação. 40% da população destes acampamentos são crianças. 
  • Clamamos pela melhora das condições de saúde aos povos indígenas, como por exemplo, no Brasil, pelo aumento do orçamento da SESAI – Secretaria Especial de Saúde Indígena, a implementação da autonomia financeira, administrativa e política dos DSEIs – Distritos Sanitários Especiais Indígenas, e a garantia dos direitos dos indígenas com deficiência. 
  • Queremos uma Educação Escolar Indígena que respeite a diversidade de cada povo e cultura, com tratamento específico e diferenciado a cada língua, costumes e tradições. 
  • Exigimos que se tornem efetivas as políticas dos estados para garantia da educação escolar indígena, tal como os territórios etnoeducacionais no Brasil. 
  • Queremos uma educação escolar indígena com componentes de educação ambiental, que promova a proteção do meio ambiente e a sustentabilidade de nossos territórios. 
  • Exigimos condições para o desenvolvimento a partir das tradições e formas milenares de produção dos nossos povos. 


Finalmente, não são as falsas soluções propostas pelos governos e pela chamada economia verde que irão saldar as dívidas dos Estados para com os nossos povos.


Reiteramos nosso compromisso pela unidade dos povos indígenas como demonstrado em nossa aliança desde nossas comunidades, povos, organizações, o conclave indígena e outros.


A SALVAÇÃO DO PLANETA 
ESTÁ NA SABEDORIA ANCESTRAL 
DOS POVOS INDÍGENAS 


RIO DE JANEIRO, 20 DE JUNHO DE 2012


APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, COICA – Coordenadora de Organizações Indígenas da Bacia Amazônica, CAOI – Coordenadora Andina de Organizações Indígenas, CICA – Conselho Indígena da América Central, e CCNAGUA – Conselho Continental da Nação Guarani 



Figura humana na rio20
texto e foto enviados pelo Giovani Pareci, MT
*

sexta-feira, 22 de junho de 2012

THE FUTURE WE DONT WANT - O FUTURO QUE NÃO QUEREMOS

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/510715-a-rio-20-que-nao-queremos
o futuro que não queremos

O futuro que queremos não passa pelo documento que carrega este nome, resultante do processo de negociação daRio+20.

O futuro que queremos tem compromisso e ação - e não só promessas. Tem a urgência necessária para reverter as crises social, ambiental e econômica e não postergação. Tem cooperação e sintonia com a sociedade e seus anseios - e não apenas as cômodas posições de governos.

Nada disso se encontra nos 283 parágrafos do documento oficial que deverá ser o legado desta conferência. O documento intitulado O Futuro que Queremos é fraco e está muito aquém do espírito e dos avanços conquistados nestes últimos 20 anos, desde a Rio-92. Está muito aquém, ainda, da importância e da urgência dos temas abordados, pois simplesmente lançar uma frágil e genérica agenda de futuras negociações não assegura resultados concretos.

Rio+20 passará para a história como uma conferência da ONU que ofereceu à sociedade mundial um texto marcado por graves omissões que comprometem a preservação e a capacidade de recuperação socioambiental do planeta, bem como a garantia, às atuais e futuras gerações, de direitos humanos adquiridos.

Por tudo isso, registramos nossa profunda decepção com os chefes de Estado, pois foi sob suas ordens e orientações que trabalharam os negociadores - e esclarecemos que a sociedade civil não compactua nem subscreve esse documento.


,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,
http://www.ipetitions.com/petition/the-future-we-dont-want/


The Petition

Versāo em Português abaixo/ Version en Español abajo


THE FUTURE WE DONT WANT
"Not with our agreement!!! Remove the "with full participation of Civil Society" that is stated in paragraph 1 of the official text.   



We – the civil society organizations and social and justice movements who have responded to the call of the United Nations General Assembly to participate in the Rio+20 process – feel that the current state of negotiations severely threatens the future of all people and undermines the relevance and credibility of the United Nations.

After more than two years of intense negotiations and millions of dollars invested on the UN CSD 2012 Rio+20 conference, governments are unable and unwilling to reaffirm the commitments on fundamental principles they made in Rio in 1992.

Governments must realize that they receive their mandates from their citizenry people and that they must act in its best interest. They must be imbued with a long-term vision, an environmentally-informed mind set, so as to guarantee the sustainable development of civilizations and the best future for all, the future we all really want.

Although Governments are apparently unable to resiliently deal with the current global economic crisis (a problem confirmed in the G20 meeting in Mexico this weekend), we believe that this is the perfect moment, with potentially cathartic momentum, to embrace sustainable development, social and environmental justice. This is not the time to abandon it on grounds of austere fiscal policies or allegedly pro-growth pressures in the North. We urge the Government of Brazil, the UNCSD Secretary General and all Member States to stop negotiating their short-term national agendas and to urgently agree now on transitional actions for global sustainable progress.

We want Governments to deliver the people’s legitimate agenda and the realization of rights, democracy and sustainability, as well as respect for transparency, accountability and the honoring of promises and accomplishments already. Sadly, time is running out. A rushed and weak agreement will be neither acceptable to us nor representative of the future we all want.

We urge our fellow 99% citizens of the world to stand up for the future we really want, and not this one, imposed by a few: the 1% negotiators and their elite constituencies.

For all, let their voices of the majority finally shape the future.


PORTUGUES:

O FUTURO QUE NÃO QUEREMOS 
"Sem o nosso consentimento!!! Removam " com a plena participação da Sociedade Civil" presente no parágrafo 1 do texto oficial.


Nós - organizações da sociedade civil e movimentos sociais e de justiça que responderam ao apelo da Assembléia Geral das Nações Unidas para participar no processo da Rio +20 - acreditamos que o estado atual das negociações ameaça severamente o futuro de todos os cidadãos do mundo e compromete a relevância e credibilidade das Nações Unidas.

Depois de mais de dois anos de intensas negociações e milhões de dólares investidos na conferência ONU CDS 2012 Rio+20, os governos permanecem incapazes e demonstram falta de vontade em reafirmar os compromissos que fizeram no Rio em 1992 em matéria de princípios fundamentais.

Os governos devem ter presentes que recebem seus mandatos a partir das pessoas, dos seus eleitores e que para que tem o dever de agir no seu melhor interesse. Governantes devem estar imbuídos de uma visão a longo prazo, de uma mentalidade ecologicamente informada, para assim garantir o desenvolvimento sustentável das civilizações e o melhor futuro para todos, o futuro que todos nós realmente queremos.

Embora os governos são aparentemente incapazes de lidar resilientemente com a actual crise econômica global (um problema assumido na reunião do G20 neste fim de semana no México), nós acreditamos que este é o momento perfeito, com caracter potencialmente catártico, para adotar o desenvolvimento sustentável, e medidas de justiça social e ambiental. Esta não é a hora de abandonar estes valores por razões de políticas fiscais de austeridade ou por alegadas pressões de pró-crescimento no hemisfério Norte. Por isso, apelamos ao Governo do Brasil, ao Secretário-Geral da UN CSD e todos os Estados-Membros a parar de negociar suas agendas nacionais de curto prazo  e a acordar urgentemente em acções de transição para o progresso sustentável global.

Queremos que os Governos forneçam ao povo sua legítima agenda e a realização dos seus direitos, da democracia e da sustentabilidade, bem como o respeito pela transparência, responsabilidade e que honrem as promessas e progressos feitos até hoje. Infelizmente, o tempo está se esgotando. Um acordo apressado e ineficiente não será aceitável para nós, nem representará o futuro que todos queremos.

Apelamos aos nossos concidadãos, 99% do mundo a erguerem-se pelo futuro que realmente queremos, e não este imposto por uma minoria: 1% , negociadores e elites constituintes.

Em suma, que as vozes da maioria finalmente moldem o futuro.


ESPAÑOL:

EL FUTURO QUE NO QUEREMOS 
"Sin nuestro consentimiento!!! Eliminen " con la plena participación de la Sociedad Civil" presente en el paragrafo 1 del texto oficial.


Nosotros - las organizaciones de la sociedad civil y los movimientos sociales y de justicia que han respondido a la convocatoria de la Asamblea General de Naciones Unidas para participar en el proceso de Río +20 - pensamos que el estado actual de las negociaciones amenaza gravemente el futuro de todas las personas y socava la relevancia y la credibilidad de las Naciones Unidas.

Después de más de dos años de intensas negociaciones y millones de dólares invertidos en la Conferencia de Desarrollo Sostenible de las NNUU, Río +20, los gobiernos aún no pueden y no quieren reafirmar los compromisos que hicieron en Río de Janeiro en 1992 en materia de principios fundamentales.

Los gobiernos deben darse cuenta de que reciben sus mandatos de las personas, sus electores, y que por eso deben actuar en su mejor interés. Deben estar imbuidos de una visión a largo plazo, de un pensamiento ambientalmente informado, para así garantizar el desarrollo sostenible de las civilizaciones y el mejor futuro para todos, el futuro que todos realmente quieren.

Aunque los gobiernos son aparentemente incapaces de hacer frente con flexibilidad a la actual crisis económica mundial (un problema confirmado en la reunión del G20 en México este fin de semana), creemos que este es el momento perfecto, con un impulso potencialmente clarificador, para la adopción del desarrollo sostenible, y de la justicia social y ambiental. Éste no es el momento de abandonar estos valores por razones de políticas fiscales austeras o supuestas presiones a favor del crecimiento en el hemisferio Norte. Instamos al Gobierno de Brasil, el Secretario General de la ONU CDS y a todos los Estados miembros a poner fin a la negociación de sus agendas nacionales cortoplacistas y llegar a un acuerdo con urgencia que adelante las acciones de transición para el progreso sostenible a nivel mundial.

Queremos que los gobiernos ofrezcan la agenda legítima del pueblo y la realización de los derechos, la democracia y la sostenibilidad, así como el respeto a la transparencia, la rendición de cuentas y el cumplimiento de las promesas y los logros ya. Lamentablemente, el tiempo se acaba. Un apresurado y débil acuerdo no será ni aceptable para nosotros ni representará el futuro que todos queremos.

Instamos a nuestros conciudadanos, el 99% del mundo, a luchar por el futuro que realmente queremos, y no éste, impuesto por unos pocos: los negociadores, que son el 1% con sus élites.

En resumen, dejad que las voces de la mayoría, finalmente den forma al futuro.



Initially signed by / Inicialmente assinado (firmado) por:
ANPED, The Northern Alliance for Sustainability
CIVICUS
Consumers International
IBON International
The World Future Council
IIDMA, Instituto Internacional de Derecho y Medio Ambiente
Vitae Civilis
IDEC, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor
SERI, Sustainable Europe Research Institute
Asociación Civil Red Ambiental
Active R.E.M.E.D.Y
Sociedade Sinhá Laurinha
ReDI - Re-Shaping Development Institute
Citizen's Institute for Environmental Studies
Citizen's Movement for Environmental Justice
Eco-Horizon Instiute
Forest for Life
Green Asia Network
Green Future
Green Korea United
Institute for Climate Change Action
Korea Civil Society Forum on International Development Cooperation
Korea Green Foundation
Local Sustainability Alliance of Korea
YMC of Korea
People's Sustainability for Participatory Democracy
Neyo Reum
ODA Watch
Korea Human Rights Foundation
Korea Zerowaste Movement Network
Korea Federation for Environmental Movement
Local Sustainability Alliance of Korea
Korean Network from Green Transport
Korean Network for My Body and Our Environment
Korean Women's Association United
Korean Women's Environmental Network